Ir à Argentina em uma semifinal de Copa Libertadores quase sempre exige algum grau de instinto de sobrevivência. Na noite de quinta-feira, 15 de outubro, no Estádio UNO Jorge Luis Hirschi, em La Plata, o Flamengo empatou por 0 a 0 com o Estudiantes levando esse princípio ao limite da avareza ofensiva. Atual campeão continental e dono de um elenco avaliado em mais de 211 milhões de euros, o time carioca passou noventa minutos sem acertar um único chute na direção do goleiro Fernando Muslera.
Desempenho na competição
As estatísticas da partida compiladas pelo Jornal do Fla revelam um contraste para o líder do Campeonato Brasileiro. Mesmo com 55% de posse de bola e 361 passes certos, contra 273 dos anfitriões, Flamengo finalizou cinco vezes. Durante todo o duelo, foram duas finalizações no primeiro tempo e três no segundo, todas para fora.
Em contrapartida, o Estudiantes disparou 21 finalizações. Seis delas atingiram o alvo de Agustín Rossi. Além disso, esse rendimento reforça a pressão pela libertadores.
Análise da libertadores
A explicação para tamanha timidez passa pelos desfalques e pelas escolhas conservadoras do técnico português Leonardo Jardim. Sem Giorgian de Arrascaeta, em recuperação de cirurgia no pulso, e sem o volante Jorginho, suspenso, Jardim montou um bloco médio-baixo. Erick Pulgar, Saúl Ñíguez e Lucas Paquetá formaram o trio central por dentro.
Bruno Henrique ficou isolado na frente, e Pedro ficou no banco.
Para neutralizar a bola aérea argentina, o treinador barrou atletas mais técnicos de baixa estatura, como Nicolás de la Cruz e Guillermo Varela. Priorizou centímetros na Libertadores.
Dentro de campo, a cautela brasileira convidou o Estudiantes a transformar o gramado em uma trincheira física. Empurrado por sua torcida e organizado por Ezequiel Piovi, Alexis Castro e Santiago Núñez, o conjunto de La Plata somou 24 desarmes contra 18 do rival e bombardeou a área visitante. As seis defesas de Rossi e dois cortes providenciais de Léo Pereira, aos 32 minutos da etapa inicial em chute de Tiago Palacios, e de Alex Sandro, aos 33 do segundo tempo em finalização de Núñez, evitaram a derrota rubro-negra.
A tensão competitiva quase cobrou um preço mais alto aos 17 minutos do segundo tempo, quando um irritado Lucas Paquetá atingiu o rosto de Piovi em disputa física. O árbitro paraguaio Juan Gabriel Benítez, criticado pelos dois lados pela condução permissiva das 28 faltas do jogo, aplicou apenas o cartão amarelo antes de Jardim substituir imediatamente o meia pelo jovem Joaquim Freitas. Na coletiva pós-jogo, Medina queixou-se de que o adversário escapou de punições disciplinares, enquanto Jardim defendeu sua estratégia alegando que não podia perder altura contra um especialista no jogo aéreo.
Análise da Libertadores
Sob a ótica estritamente aritmética, o empate mantém a invencibilidade rubro-negra de 11 partidas nesta Libertadores. São sete vitórias e quatro igualdades, e a decisão fica para quinta-feira, 22 de outubro, às 21h30, no Maracanã.
Como o levantamento histórico do Guribol lembra, o Flamengo nunca venceu o Estudiantes em La Plata. Por outro lado, derrotou o mesmo rival no Rio de Janeiro na fase de grupos deste ano. O cálculo pragmático cumpriu seu papel.
Ainda assim, diante de sua torcida, o time precisa lembrar que chutar ao gol adversário continua sendo indispensável. Isso é essencial para chegar à final em Montevidéu.
Por Marlus Pasinato – 15/10/2026 – www.libertadores.com.br

