Palmeiras retoma hegemonia estadual sob o sol de Novo Horizonte
A sede de conquistas do Palmeiras encontrou alento nas pastagens do interior paulista. No último domingo, 8 de março de 2026, o clube alviverde derrotou o Grêmio Novorizontino por 2 a 1. A partida ocorreu no Estádio Dr. Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte. Com o resultado, o time de Abel Ferreira assegurou seu 27º título do Campeonato Paulista. A conquista encerra um período de 700 dias sem troféus na galeria do Allianz Parque.
O confronto decisivo começou com a urgência típica das grandes decisões. Logo aos cinco minutos, o zagueiro Murilo aproveitou um rebote na pequena área para abrir o placar. A vantagem inicial sugeria um passeio palmeirense, mas o Tigre do Vale demonstrou resiliência. Sob chuva fina e gramado pesado, os donos da casa buscaram o empate aos 26 minutos. Matheus Bianqui aproveitou uma falha de comunicação entre a defesa e o goleiro Carlos Miguel para igualar o marcador.
O empate trouxe uma tensão desnecessária ao plano de jogo alviverde. Enquanto o Novorizontino tentava explorar os contra-ataques, o Palmeiras mantinha o controle burocrático da posse de bola. A eficiência tática de Abel Ferreira foi testada pela ousadia do time do interior. Contudo, o peso da camisa e o talento individual prevaleceram na etapa complementar. O gol do título surgiu de uma jogada coletiva que encontrou Vitor Roque bem posicionado.
Aos 17 minutos do segundo tempo, o jovem atacante finalizou com precisão após assistência de Flaco López. O gol foi um batismo de glória para Vitor Roque em sua primeira conquista pelo clube. A partir daí, o Palmeiras administrou o cronômetro com a frieza de um veterano das decisões. O apito final deu início a uma celebração que misturava alívio e reafirmação histórica.
Este troféu possui um simbolismo que transcende a mera estatística estadual. Ele marca o 11º título de Abel Ferreira à frente da equipe paulista. Com este feito, o português ultrapassa Oswaldo Brandão e se torna isoladamente o técnico mais vitorioso da história do Palmeiras. É uma marca notável em um futebol conhecido pela impaciência com projetos de longo prazo. A longevidade de Abel no cargo parece ser o maior trunfo estratégico da atual administração.
A vitória também serviu para integrar os novos reforços ao espírito vencedor da instituição. Jogadores como Carlos Miguel, Maurício e o próprio Vitor Roque experimentaram o gosto da primeira taça com o manto verde. Para os remanescentes de ciclos anteriores, como Gustavo Gómez e Piquerez, foi a confirmação de que o ciclo vencedor ainda respira. O Palmeiras passou o ano de 2025 em branco, o que gerou críticas ácidas de sua exigente torcida.
O desempenho no campeonato estadual foi irretocável sob o aspecto competitivo. O Verdão chegou à final com 100% de aproveitamento em clássicos, derrotando Santos, Corinthians e São Paulo. Na semifinal, a equipe superou o rival tricolor em uma partida marcada pela intensidade física. Já o Novorizontino merece o reconhecimento por ter eliminado potências tradicionais no caminho até a decisão.
Agora, o Palmeiras volta suas atenções para os desafios mais robustos do calendário continental e nacional. A conquista do Paulistão serve como um combustível emocional para a disputa da Libertadores e do Brasileirão. A diretoria espera que o título traga a estabilidade necessária para navegar pelas águas turbulentas da temporada. O jejum de dois anos ficou para trás, substituído pela renovada esperança de um ano repleto de glórias.
Por Marlus Pasinato – 09/03/2026 – www.libertadores.com.br


