Uma análise da final no Monumental “U”, onde a eficiência de Filipe Luís venceu o bloqueio de Abel.
A final da Copa Libertadores de 2025, disputada em Lima, no Peru, encerrou um debate persistente no futebol sul-americano. O Clube de Regatas do Flamengo superou o Palmeiras pelo placar mínimo, 1 a 0, no último sábado, 29 de novembro. Com o resultado, o clube carioca assegurou seu quarto título continental. Assim, o Flamengo se isolou como o maior campeão brasileiro do torneio, superando a marca de Grêmio, Santos e São Paulo.
O palco da decisão foi o Estádio Monumental, que testemunhou a quinta final totalmente brasileira nos últimos seis anos. O domínio do país na competição é inquestionável, contudo a hegemonia interna agora pende decisivamente para o Rio de Janeiro. A partida, embora tecnicamente estudada e travada no primeiro tempo, definiu o novo patamar do Rubro-Negro.
O Risco Calculado e a Consagração Defensiva
O primeiro tempo da partida foi marcado por uma cautela tática notável. Ambas as equipes demonstravam mais receio em ceder o gol do que ambição em marcá-lo. O time de Abel Ferreira, conhecido por sua solidez, enfrentou uma defesa rubro-negra que se mostrou a mais eficiente da competição, sofrendo apenas cinco gols em doze jogos. O Flamengo também liderou em acertos de passes.
O Palmeiras concentrou seus esforços ofensivos em Vitor Roque e Flaco López. Por outro lado, o Flamengo buscou explorar a velocidade de Bruno Henrique e Luiz Araújo nas laterais. No entanto, a organização defensiva de ambas as equipes limitou as grandes chances. O jogo, com lances truncados e faltas excessivas, parecia fadado aos pênaltis.
O Detalhe que Decidiu: A Lei do Ex
A narrativa do confronto mudou drasticamente aos 21 minutos do segundo tempo. Em um lance de bola parada, o Flamengo capitalizou um dos poucos erros adversários. O meio-campista uruguaio Giorgian de Arrascaeta, eleito o Melhor Jogador da competição, cobrou um escanteio com precisão cirúrgica.
O zagueiro Danilo, ex-jogador do Palmeiras, subiu mais alto que a defesa alviverde e cabeceou para o fundo da rede. O gol foi fulminante, indefensável. O atleta, que fez história na Europa, retornou ao Brasil para cumprir uma promessa pessoal, alcançando a glória máxima em seu clube de coração. Esta foi a primeira vez que o zagueiro marcou na Libertadores desde a final de 2011, quando defendia o Santos.
Com a desvantagem no placar, a equipe paulista foi obrigada a se expor. O técnico Abel Ferreira fez substituições ofensivas, como a entrada de Felipe Anderson e Facundo Torres. Contudo, a defesa do Flamengo, liderada pelo goleiro Rossi e a dupla de zaga, resistiu à pressão final. O Palmeiras, que teve o artilheiro do torneio ao lado de Adrián Martínez do Racing, Flaco López com sete gols, não conseguiu converter o volume em eficácia.
O Novo Patamar Continental
A vitória não é apenas um marco histórico, mas um endosso à gestão e estratégia do Flamengo. O clube carioca, além do troféu, embolsou um prêmio de 24 milhões de dólares. A vaga no Mundial de Clubes nos Estados Unidos também está garantida.
O Palmeiras, apesar da derrota, demonstrou resiliência e manteve sua excelência no cenário nacional. Contudo, o tetra do Flamengo marca uma virada definitiva. O clube rubro-negro, agora tetracampeão (1981, 2019, 2022 e 2025), superou a própria rivalidade para alcançar um status inédito. O time comandado por Filipe Luís, que eliminou o Racing na semifinal, provou ser o mais consistente da temporada.
O tetracampeonato do Flamengo não é só um troféu a mais. É a consolidação de uma era de investimento, planejamento e excelência. O Rubro-Negro dita o ritmo do continente.
Por Marlus Pasinato – 30/11/2025 – www.libertadores.com.br


